Nos
Estados Unidos, um grupo de 200 pastores e teólogos assinaram um documento em
agosto, reafirmando os conceitos bíblicos sobre casamento e sexualidade.
Chamado de “Declaração de Nashville”, por causa da cidade onde foi assinado, no
estado do Tennessee, ele teve como um dos seus idealizadores o pastor e teólogo
John Piper.
Em
seus 14 tópicos, a Declaração condena o estilo de vida homossexual, o sexo fora
do casamento e as questões relacionadas com a ideologia de gênero. Considerado
controverso, por contrariar o pensamento “politicamente correto” em voga na
sociedade atual, o documento foi criticado por teólogos liberais, que o
consideraram “insensível” a questões amplamente debatidas na atualidade, como
os direitos das minorias. Um grupo de “cristãos LGBT” mostrou repúdio pelo
material.
Na
ocasião de sua assinatura, Piper afirmou “Ele mostra, com muita clareza, nossa
convicção bíblica, a compaixão do evangelho, a relevância cultural e sua
utilidade prática. Acredito que será extremamente útil para milhares de
pastores e líderes, na esperança que possam dar orientações sábias, bíblicas e
repletas de graça para suas congregações”.
Esta
semana, no programa de rádio “Pergunte ao Pastor John”, transmitido por seu
site, Piper foi questionado por uma ouvinte sobre o fato de afirmações públicas
como a Declaração de Nashville “dividir” os cristãos e “afastar” aqueles
membros da igreja que pensam diferente. A ouvinte, que se identifica como Amy,
perguntou também se isso não criaria uma “parede de separação” entre os
cristãos de uma igreja local e seus vizinhos ou amigos incrédulos e liberais, prejudicando
as tentativas de alcançá-los.
A
resposta de Piper foi incisiva, deixando claro que a verdade bíblica é sempre
controversa. Ele abordou as duas questões lembrando o alerta de Jesus sobre não
“lançar pérolas aos porcos” (Mateus 7: 6). Para ele, este conselho deveria
sempre ser levado em conta quando os cristãos desejam compartilhar as verdades
do Evangelho.
“Eu
acho que a visão cristã – que contempla a criação da humanidade como homem e
mulher, do casamento como um vínculo permanente entre um homem e uma mulher
(esposo e esposa) e restringindo a prática sexual ao casamento – é uma pérola
bonita que deve ser colocada em um pedestal diante do mundo, mesmo sabendo que
hoje em dia o mundo a odeia, zomba dela e faz tudo o que podem para pisar e
destruir esta pérola”, assegurou Piper.
O
pastor disse também que a pregação pública muitas vezes é acusada de ser por
motivações políticas, algo de que Jesus também foi acusado durante Seu
ministério na terra.
“Se
alguém pensa que há como pregar, escrever e fazer declarações em público
apresentando as pérolas da verdade bíblica sem encontrar – nas mídias sociais
ou de outras maneiras – mil críticos irritados, isso é ingenuidade. Não vai
acontecer”, sentenciou Piper.
Ele
lamentou que há muito tempo não é mais possível “ser um cristão fiel à verdade
de Deus e manifestar isso publicamente sem ser duramente criticado”.
Para
ele, pensar que a Declaração de Nashville ou qualquer outra coisa vá separar
ainda mais os conservadores dos “incrédulos e liberais”, não tem cabimento. O
experiente teólogo argumenta que nada foi adicionado às questões fundamentais
que já dividem os dois grupos.
“Eu
apenas vou apelar para aqueles cujo método de evangelismo… inclui um esforço
para esconder as partes da Bíblia consideradas ofensivas dessa pérola que é a
vida cristã. Essas pessoas poderão perder oportunidades de ouro para dar um
testemunho bíblico – precisamente porque as coisas ‘ofensivas’ já estão aí em
público – mas também podem estar abandonando a maneira como Jesus e os
apóstolos faziam as coisas em seu ministério público”, admoestou.
Piper
finalizou dizendo que as declarações sobre a sexualidade bíblica são “lindas” e
encorajam os conservadores a debaterem com os “críticos” contrários a essas
afirmações e mostrar a eles a verdade.
“O
verdadeiro desafio não é fazer com que Jesus pareça ‘lindo’ quando escondemos
algumas das suas convicções. O verdadeiro desafio é abordar todos os seus
pontos de vista, incluindo aquelas consideradas ofensivos, levando as pessoas a
conhecerem a beleza da glória de Deus e Seu propósito para toda a humanidade.
Esse é o desafio que podemos estar ignorando, enquanto avaliamos o quanto
algumas coisas podem ser controversas”.
Com informações de Christian
Post, Tennessean, Desiring God e Gospel Prime

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